8 respostas sobre dor de ouvido nas crianças

A maioria delas vai ter otite pelo menos uma vez até completar 2 anos. Descubra por que esse desconforto é tão comum na infância, saiba como preveni-lo e o que fazer se o problema aparecer

 

Thais Lazzeri

 

Marilyn Conway / Getty Images

Por que as crianças apresentam mais chances de ter infecção de ouvido?

Primeiro porque o canal que liga a tuba auditiva ao nariz é curto e horizontal nas crianças (nos adultos, é longo e vertical) e, sendo assim, uma infecção nas fossas nasais tem mais chance de chegar ao ouvido e causar a otite. A segunda razão é que, como até os 2 anos o sistema de defesa do organismo não produz os anticorpos contra as principais bactérias e vírus, seu filho tende a ficar mais resfriado ou com gripe nessa fase da vida. Essas doenças aumentam a secreção no nariz e, consequentemente, as chances de ela chegar até os ouvidos.

Em qual estação do ano a chance disso acontecer é maior?

Depende. Existem dois tipos de otite: a externa, que acontece no canal do ouvido, e a média, para dentro do tímpano. O primeiro tipo é comum no verão, pois a criança passa muito tempo dentro da água, seja da piscina ou do mar, e a alta umidade é um fator de risco. Se seu filho faz natação, avalie a higienização do local e compre protetores de ouvido. Já o segundo tipo acaba sendo o mais recorrente o ano todo, pois é causado por alergias e problemas respiratórios – esses últimos, em alta no inverno. Tanto no caso da otite média quanto da externa, um exame clínico benfeito pelo pediatra ou pelo otorrinolaringologista, mais o histórico do desconforto, é suficiente para definir o diagnóstico.

Quais são os sintomas de cada otite?

Ambas têm manifestações parecidas. Além de febre, a criança pode reclamar da dor e levar as mãos à região. As menores, que não verbalizam bem, ficam irritadas e perdem o apetite. No caso da otite média, há ainda a sensação de ouvido tampado. Como esses sintomas incomodam muito, leve seu filho ao pediatra ou a um pronto-socorro. Quando não tratada, a infecção pode evoluir e causar problemas graves, como perda auditiva.

Qual é o tratamento indicado?

Depende do tipo de otite, do grau da infecção e da causa. Se for externa, o médico pode indicar remédios em gotas para pingar dentro do ouvido. Se for a média, é recomendado medicamento via oral. Por isso, não use qualquer tipo de remédio – nem aquele que foi receitado a última vez que seu filho sentiu a dor – antes de a criança passar por um especialista. Vale lembrar ainda que não se deve, nunca, colocar qualquer produto no ouvido, como azeite quente. Pode piorar o estágio da infecção e prejudicar ainda mais a saúde do pequeno.

O que fazer se entrar água no ouvido da criança?

Peça para o seu filho tombar a cabeça para o lado para o excesso de água sair. O que restou, evapora. Não use cotonete para secar a parte interna, pois pode causar uma lesão ou piorar uma infecção. Para a parte externa, prefira uma toalha. Se tiver um pouco de cera, retire-a com a ponta dela.

Saiu pus do ouvido. E agora?

Leve seu filho ao PS. Quando o pus aparece, é sinal que a criança já está com a infecção há dias.

E se a otite for frequente?

Caso a infecção se repita mais de três vezes por ano, pode ser sinal de otite de repetição. Nesses casos, vale a pena investigar o crescimento da adenoide (tecido da parte de cima da faringe), que pode estar tampando a ligação entre o nariz e o ouvido. Nesse caso, pode ser indicada uma cirurgia.

Existe alguma maneira de prevenir a infecção?

Sim. A primeira é amamentar exclusivamente até o sexto mês, porque, junto com o leite, a criança recebe anticorpos da mãe. Outro benefício está relacionado à sucção. Quando ela suga o leite, faz uma força que causa uma pressão negativa na boca e evita que o líquido reflua pelo nariz e cause alguma inflamação. No caso de uso de mamadeira, vire-a de cabeça para baixo. Se o bico gotejar, troque-o. Na hora de oferecer qualquer líquido ao seu filho, posicione o corpo dele sempre a 45º, ou seja, com o tronco levemente levantado. Também mantenha o calendário de vacinação em dia, principalmente contra gripe e pneumococo – ambas as vacinas são gratuitas para menores de 2 anos na rede pública. Como é importante manter as vias respiratórias sempre limpas, evite expor a criança a mudanças drásticas de temperatura. Ela pegou um resfriado? Assoe bastante o nariz, evitando que a secreção contamine o ouvido. Também não use hastes flexíveis para limpar os ouvidos e sempre coloque tampões caso seu filho queira nadar.

FONTES: Carlos Alberto Herrerias de Campos, otorrinolaringologista, professor da Santa Casa de São Paulo; Cláudia Regina Figueiredo, chefe de plantão de otorrinolaringologia do Hospital São Paulo; Fabrízio Romano, otorrinolaringologista do Hospital Infantil Sabará (SP); Manoel de Nóbrega, otorrinolaringologista, presidente do departamento científico de otorrinolaringologia da Sociedade Brasileira de Pediatria; Silvio Antonio Monteiro Marone, otorrinolaringologista, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e da PUC-Campinas