A importância de suprir as necessidades emocionais da criança

As necessidades emocionais do bebê são tão primordiais quanto as de alimentação e de higiene.

Essa é uma das tarefas mais árduas que os pais terão pela frente, pois deverão apreender o significado de cada choro, de cada expressão de seu rosto, para poder satisfazê-las.

Ao nascer, a criança não vem acompanhada de manual de instruções e não chega dominando a linguagem para se expressar. É através do choro que manifesta quando algo não está bem. Os pais se desesperam por não conseguir entender seu sofrimento e o que está querendo transmitir.

Muitas vezes, o único desejo do bebê é estar no colo da própria mãe, aconchegado, para que escutando e reconhecendo seus sons internos, mais precisamente, o batimento cardíaco, com que conviveu por longos meses, possa se acalmar, sentindo-se novamente segura e protegida deste mundo que lhe é totalmente desconhecido e, portanto, ameaçador. Outro som tão seu conhecido, é o da voz materna, que aprendeu a discernir entre tantos outros quando ainda se encontrava em seu útero. É a voz mais suave e melodiosa e que lhe dá imenso prazer, pois a reassegura contra seus próprios medos e angústias.

Mãe com seu bebê no colo - ThinkStock

Aos poucos, os pais vão aprendendo a identificar o significado de cada manifestação infantil e assim, entre acertos e erros, vão construindo o próprio manual junto com seu filho.

Essa afinidade na identificação dos sentimentos infantis é de suma importância para a qualidade do vínculo materno-filial, que irá se estabelecer com o decorrer do tempo, e que vai sendo fortificado através da crescente confiança entre eles. As emoções vão sendo decodificadas para a criança, que se desenvolve sabendo nomeá-las de uma forma natural e honesta.

Para isso, faz-se necessário que os sentimentos considerados socialmente inaceitáveis como raiva, ódio, ciúme, inveja, sejam aceitos da mesma maneira que os chamados “positivos”, como amor, alegria, generosidade, carinho, prazer e outros.

Se uma criança for ridicularizada ou repreendida pelos seus sentimentos, passará a ocultá-los toda vez que os sentir, o que dificultará a compreensão dos pais em relação às atitudes de seu filho, distanciando-os um do outro cada vez mais.

Desenvolvendo-se num ambiente familiar onde as emoções, quaisquer que sejam, possam ser vivenciadas e aceitas, onde os pais deem espaço para que o filho possa falar livre e espontaneamente, quando chegar a adolescência este mesmo filho sentir-se-á à vontade para falar de outros problemas que o aflige, podendo ser melhor orientado.

Muitos pais iniciam o diálogo com seus filhos mais tarde, quando acham que já estão aptos para compreender o significado das palavras, esquecendo-se que uma relação se constrói precocemente, desde seu início, para que a confiança possa ser conquistada. Como desejar que tenham intimidade suficiente para dialogar, se se passou tanto tempo sem perceber o quanto ficaram à mercê de suas próprias emoções e dificuldades em fases anteriores.

Uma relação de amizade e amor só será possível se, desde muito cedo, a criança se sentir compreendida e respeitada em seus sentimentos para aceitá-los como parte de si mesma e, assim, se sentir autorizada a falar sobre o que lhe está causando angústia ou sofrimento, bem como, alegria e prazer.

Fonte do Site: http://guiadobebe.uol.com.br/pais-e-filhos/
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