Seis mitos sobre o envelhecimento

Gerontóloga fala sobre as principais crenças populares sobre a terceira idade e alerta para os cuidados com a saúde nessa faixa etária

Não adianta negar: todo mundo vai envelhecer. E inevitavelmente, com o passar do tempo, nosso organismo sofre alterações que mudam o ciclo de vida e fazem com que sejam necessárias algumas adaptações. Mas antes de tomar qualquer providência, é importante saber o que é crendice popular e o que é verdade acerca do envelhecimento.

A especialista no assunto, Eva Bettine, que é gerontóloga da Universidade de São Paulo (USP) e consultora do Método SUPERA Ginástica para o Cérebro conta que existem algumas frases sobre idosos que vão sendo repetidas ao longo do tempo e são “naturalizadas”, fazendo com que as pessoas não se questionem a respeito. “Mas não é bem assim”, diz ela.

mitos sobre o envelhecimento - Foto: pressfoto / Freepik

Confira abaixo as frases apontadas como mais comuns pela especialista e os motivos pelos quais não se deve levá-las adiante:

1. A velhice começa aos 60 anos

Este é um equívoco muito comum e a explicação é muito simples: na gerontologia (especialidade médica que estuda os processos de envelhecimento), se acredita que nós começamos a envelhecer a partir do momento da concepção. Ou seja: uma criança que nasceu é mais velha que um feto dentro da barriga da mãe, por exemplo. “Senão aconteceria assim: você dorme aos 59, novinho em folha, faz 60 anos e acorda velho. Isso não é verdade, tudo se trata de um processo”, explica Eva.

Segundo a especialista, houve uma época em que as pessoas não falavam em idade. Depois, foi necessário separar dessa forma por questões sociais, como maioridade. Mais tarde, categorizaram as gerações por motivos legais. Mas a idade depende de diversos fatores, afinal, nem todas as pessoas de 60 anos são iguais umas às outras, certo?

2. Velhice = doenças

Este mito está tão enraizado no pensamento da sociedade atualmente que se você tiver qualquer doença depois dos 60 anos, vai pensar: é porque estou ficando velho e, na verdade, não é bem assim.

A especialista exemplifica: se uma pessoa é hipertensa e toma os medicamentos prescritos para isso, sua pressão arterial vai estar dentro de uma faixa considerada saudável. Logo, podemos afirmar que ela tem uma doença controlada. Então, do ponto de vista da gerontologia, é uma pessoa com saúde. Muitas pesquisas apontam que existem milhares de idosos com até 85 anos perfeitamente saudáveis.

Segundo a especialista, para evitar o aparecimento de sintomas das doenças neurodegenerativas do cérebro, como o Alzheimer, é muito importante manter a mente ativa ao longo da vida, praticando exercícios para o cérebro. Eles ajudam a fortalecer as ligações entre os neurônios, criando uma reserva cognitiva.

3. A pessoa idosa volta a ser criança

É comum que algumas pessoas mais velhas precisem de ajuda para se locomover, se alimentar, realizar algumas atividades diárias. Mas isso não nos autoriza a afirmar que tratam-se de crianças. Termos no diminutivo como “vovozinha, queridinha, fragilzinho, idosinho” podem representar uma fala carinhosa (tudo depende da intenção do locutor), mas muitas vezes denotam um grande preconceito em função da idade.

A especialista conta que já presenciou pessoas apertando bochechas de idosos como se fossem crianças, acompanhadas de falas como “senta aqui nessa cadeirinha”. Em uma situação como essa, a pessoa mais velha se sente diminuída assim como o termo que está sendo usado. Então, é melhor evitar.

4. A velhice é a melhor idade

Não necessariamente. Na gerontologia, acredita-se que a melhor idade pode ser qualquer uma da vida em que estejamos nos sentindo muito bem. Ao afirmarmos que “a velhice é a melhor idade” para um idoso com problemas, como dificuldade para ouvir, enxergar ou andar, podemos ofender.

Este mito ainda enfraquece o que a sociedade precisa entender sobre a idade mais avançada. Pensamentos do tipo “que ótimo, já que estão na melhor idade, não precisamos fazer nada” precisam ser extintos.

5. Toda pessoa mais velha tem problema de memória

Ao reproduzir este mito, nós diminuímos a capacidade da pessoa idosa e ela, ao acreditar, se sente incapaz também. Segundo Eva, hoje existem evidências científicas de que nós aprendemos até o fim da vida. Logo, a velhice “não é desculpa” para afirmar que não se aprende mais. Atividades como aprender um novo idioma ou praticar exercícios para o cérebro são as melhores formas de manter a cognição preservada.

6. Velhice = sabedoria

Segundo Eva, pessoas sábias são aquelas que acumularam sabedoria, compreenderam fatos sobre a vida e conseguem passar isso adiante como ensinamento sem diminuir ninguém. E nós não podemos afirmar que uma pessoa se tornou mais sábia ao longo do tempo porque tudo depende do curso de vida quanto ela se dedicou a aprender, ajudou e conheceu pessoas… Ou seja: é importante não generalizar. Ainda que seja um mito “positivo”, a idade não pode ser vista cegamente como um sinônimo para sabedoria.

Acesse: http://guiadobebe.uol.com.br/seis-mitos-sobre-o-envelhecimento/

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